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Quando as temperaturas caem, também surgem velhas crenças sobre vinhos. Descubra quais são os principais mitos da estação e aproveite cada rótulo da melhor forma.
É comum associar o inverno aos vinhos tintos mais encorpados, que são ótimos companheiros para pratos quentes e dias frios, mas isso não significa que sejam a única escolha da estação.
Na verdade, a melhor experiência depende muito mais da temperatura de serviço, da harmonização e do estilo do vinho do que da estação do ano. Conhecer esses detalhes faz toda a diferença na hora de aproveitar uma boa taça.
Mito.
Esse talvez seja um dos erros mais comuns.
Quando um vinho tinto é servido muito quente, o álcool fica mais evidente, os aromas perdem definição e a sensação de equilíbrio diminui. A expressão "temperatura ambiente" surgiu em países europeus, onde os ambientes costumam ficar entre 16°C e 18°C — bem diferente dos 25°C ou mais encontrados em muitas regiões do Brasil.
Se necessário, vale deixar o vinho alguns minutos na geladeira antes de servir, mesmo durante o inverno.
Mito.
Os vinhos brancos vão muito além dos estilos leves e refrescantes consumidos no verão.
Brancos mais estruturados, especialmente aqueles com passagem por barricas de carvalho, apresentam maior corpo, textura e aromas de manteiga, frutas secas, baunilha e tostado, tornando-se excelentes opções para o inverno.
Eles harmonizam muito bem com pratos como:
Além disso, podem ser servidos em temperaturas um pouco menos frias do que no verão, valorizando ainda mais seus aromas.
Nem sempre.
Um vinho encorpado não é automaticamente superior a um vinho leve.
A qualidade está no equilíbrio entre acidez, taninos, álcool, fruta e estrutura. Existem Pinot Noir, Gamay e outros tintos leves capazes de proporcionar experiências tão memoráveis quanto grandes Cabernet Sauvignon ou Malbec.
O melhor vinho é aquele que combina com:
O inverno convida aos vinhos mais estruturados, mas isso não significa que eles sejam sempre a melhor escolha.
Outro grande mito.
Embora seja uma das combinações mais tradicionais, muitos queijos harmonizam muito melhor com vinhos brancos e espumantes.
Isso acontece porque a acidez dos brancos e as borbulhas dos espumantes ajudam a limpar a gordura do queijo, enquanto os taninos presentes em alguns tintos podem acentuar a sensação de amargor ou metálico em queijos mais delicados.
Alguns exemplos:
Ou seja, pensar apenas na cor do vinho pode limitar excelentes harmonizações.
Definitivamente, não.
Os espumantes são extremamente versáteis e funcionam durante o ano inteiro.
Os exemplares elaborados pelo método tradicional, por exemplo, apresentam maior complexidade aromática, notas de pão tostado, frutas secas e excelente estrutura, características que combinam muito bem com pratos típicos do inverno.
Experimente harmonizar espumantes com:
As borbulhas renovam o paladar a cada gole e tornam refeições mais ricas muito mais equilibradas.
O frio é uma excelente oportunidade para descobrir novos rótulos e sair do óbvio.
Experimente comparar um tinto leve com um mais encorpado, um Chardonnay com passagem por madeira ou um espumante elaborado pelo método tradicional. Cada estilo oferece uma experiência diferente e pode surpreender quando servido na temperatura correta.
Mais importante do que seguir regras é conhecer o vinho, respeitar seu estilo e escolher a melhor combinação para cada momento.
Perro Callejero Pinot Noir
Se a ideia é provar que nem sempre os vinhos mais encorpados são a melhor escolha, o Perro Callejero Pinot Noir é um excelente exemplo. Seus aromas de frutas vermelhas e delicadas notas florais se unem a uma acidez equilibrada e taninos macios, resultando em um vinho elegante e versátil. Harmoniza muito bem com aves, cogumelos, massas leves e queijos de média maturação, mostrando que um tinto de corpo mais leve também pode ser a estrela dos dias frios.

Salentein Cuvée Exceptionnelle Brut Rosé
Quem pensa que espumante é exclusivo do verão vai se surpreender com este rótulo. Elaborado pelo método tradicional, o Cuvée Exceptionnelle Brut Rosé apresenta excelente frescor, aromas de frutas vermelhas e um paladar elegante e equilibrado. É uma ótima companhia para tábuas de queijos, risotos, carnes brancas e até pratos mais intensos, provando que as borbulhas também têm lugar garantido no inverno.

Monteagrelo Syrah
Para quem aprecia vinhos de maior estrutura durante o inverno, o Monteagrelo Syrah reúne intensidade e equilíbrio na medida certa. Com notas de frutas negras maduras, especiarias e boa persistência em boca, é um rótulo que acompanha perfeitamente carnes assadas, cordeiro, massas com molhos intensos e queijos curados. Um vinho envolvente para aquecer as noites mais frias.

Pipa Rosa Beira Interior D.O.C. Branco Síria Reserva
Os vinhos brancos também merecem espaço na estação. Produzido com a uva Síria, este rótulo apresenta ótima estrutura, aromas elegantes e um frescor equilibrado que combina perfeitamente com pratos cremosos, aves, peixes e queijos macios. É uma excelente opção para quem deseja descobrir como um branco gastronômico pode ser tão interessante no inverno quanto um tinto.

Baglio di Stefano Primitivo Puglia IGP
Clássico da região da Puglia, este Primitivo entrega aromas intensos de frutas maduras e especiarias, aliados a um paladar macio, encorpado e muito agradável. É o parceiro ideal para massas com molho de carne, carnes grelhadas, polenta, risotos e pratos típicos do inverno. Uma escolha certeira para quem busca um vinho acolhedor e cheio de personalidade.

O inverno não exige apenas tintos potentes, assim como o verão não pertence exclusivamente aos brancos e espumantes. Muitos dos conceitos que ouvimos sobre vinho são, na verdade, mitos repetidos ao longo do tempo.
Servir o vinho na temperatura adequada, harmonizar corretamente e experimentar diferentes estilos são atitudes que fazem muito mais diferença do que seguir regras antigas. Afinal, a melhor taça é aquela que proporciona equilíbrio, prazer e boas experiências — em qualquer estação do ano.